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Como temporada agitada deve levar ao uso de letras gregas para nomear furac√Ķes

Por PCV Comunicação e Marketing Digital em 17/09/2020 às 19:06:11
Com apenas mais um nome sobrando na lista deste ano, Wilfred, as letras do alfabeto grego ser√£o usadas para nomear as próximas tempestades. Desde 1971 n√£o eram registrados cinco ciclones tropicais ativos ao mesmo tempo

CENTRO NACIONAL DE FURAC√ēES DOS EUA via BBC

Com a formação das tempestades tropicais Teddy e Vicky na segunda-feira (14), já foram nomeadas 20 tempestades neste ano.

Com apenas mais um nome sobrando na lista de nomes pré-determinados para fura√ß√Ķes, Wilfred, as letras do alfabeto grego ser√£o usadas para nomear as próximas tempestades.

Esta seria apenas a segunda vez na história que isso ocorreu.

A temporada atual tem sido extremamente repleta de tempestades. Em meados de setembro, as estatísticas do Centro Nacional de Furac√Ķes dos Estados Unidos mostraram que normalmente teríamos, em média, sete sistemas nomeados na época. Este ano, porém, tem estado longe do normal, com 13 acima da média.

Uma das características mais marcantes ??desta temporada foi o qu√£o cedo cada uma das tempestades nomeadas se formou em rela√ß√£o aos anos anteriores. Teddy e Vicky, por exemplo, foram as primeiras tempestades com nomes 'T' e 'V' registrados.

Nada disso, entretanto, surpreendeu os meteorologistas, j√° que as condi√ß√Ķes previam uma temporada movimentada.

As previs√Ķes da National Oceanographic Atmospheric Administration (NOAA) e da Universidade do Estado do Colorado, nos Estados Unidos, previam que 2020 teria cerca do dobro do número médio de tempestades nomeadas de 1981-2010.

Existem apenas 21 nomes na lista da Organiza√ß√£o Meteorológica Mundial dedicada a cada ano, ent√£o, se as previs√Ķes se concretizarem, o alfabeto grego ser√° usado para nomear o restante.

Gerry Bell, o principal meteorologista da temporada de furac√Ķes da NOAA, afirmou que a previs√£o de sua organiza√ß√£o de ter até 25 tempestades nomeadas é inédita para eles.

O alfabeto grego só foi usado uma vez antes, no recorde da temporada de furac√Ķes de 2005, quando 27 tempestades foram nomeadas. Terminou com a tempestade tropical Zeta no final de dezembro.

Foi também a temporada em que o furac√£o Katrina, de categoria 5, causou grandes danos na Louisiana e no Mississippi — um dos desastres naturais que causaram mais danos da história dos Estados Unidos.

Por que esta temporada est√° t√£o intensa?

H√° v√°rios fatores necess√°rios para o surgimento de um furac√£o ou tempestade tropical. Isso inclui uma temperatura da superfície do mar superior a 26¬įC e instabilidade na atmosfera próximo à √Āfrica Ocidental. Também é necess√°rio que haja pouco cisalhamento (r√°pida varia√ß√£o de dire√ß√£o e velocidade) do vento.

E é isso que vimos até agora neste ano. As temperaturas da superfície do mar no Atl√Ęntico têm estado consistentemente em torno de 1-2¬ļC acima do normal durante o ver√£o — ocupando quarto lugar entre as mais quentes j√° registradas, de acordo com meteorologistas da Universidade Estadual do Colorado.

Durante o resto de setembro e até outubro, a temperatura da superfície do mar permanecer√° alta o suficiente para potencializar a forma√ß√£o de tempestades tropicais.

O outro ingrediente principal para uma tempestade tropical — baixo cisalhamento do vento — também foi extremamente baixo em julho.

As previs√Ķes sazonais publicadas sugerem que h√° uma forte conex√£o entre o cisalhamento do vento em julho e o cisalhamento médio do vento entre agosto e outubro, portanto, podemos esperar que isso também aumente a atividade de tempestades no Atl√Ęntico.

O último fator que contribui para a previs√£o de uma esta√ß√£o ativa é um padr√£o clim√°tico natural denominado Enso - El Ni√Īo Oscila√ß√£o Sul, que descreve o estado das temperaturas da superfície do mar e os padr√Ķes de vento no Oceano Pacífico, que têm implica√ß√Ķes clim√°ticas em todo o globo.

Quando essa oscila√ß√£o est√° em uma fase neutra ou negativa — conhecida como La Ni√Īa — a atividade do furac√£o tende a aumentar. A NOAA anunciou em meados de setembro que as √°guas do Pacífico oriental haviam esfriado o suficiente para a forma√ß√£o do La Ni√Īa.

A mudan√ßa clim√°tica é um fator que contribui?

Ligar os ciclones tropicais às mudan√ßas clim√°ticas é complicado. Os climatologistas est√£o pesquisando ativamente nesta √°rea e os estudos até agora sugerem que podemos ver grandes tempestades mais intensas em um mundo em aquecimento.

No entanto, como h√° muitos fatores envolvidos, n√£o podemos dizer se a mudan√ßa clim√°tica provocada pelo homem tem um efeito em situa√ß√Ķes únicas como esta.

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Fonte: G1/PB

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